Descubra como calcular a margem de lucro real da sua indústria e evite prejuízos invisíveis.
Atualmente, muitas indústrias vendem grandes volumes, mas fecham o mês com o caixa apertado. Isso acontece porque o cálculo de preço de venda costuma ser falho.
Frequentemente, o gestor aplica apenas um markup simples sobre a matéria-prima. Contudo, essa conta básica ignora custos invisíveis que corroem a rentabilidade.
Afinal, a margem de lucro real depende de uma visão completa da operação. Se você não considerar os custos indiretos, o lucro é uma ilusão.
Neste artigo, vamos desmistificar a formação de preço no setor industrial. Além disso, mostraremos como o custeio por absorção pode salvar sua operação.
Portanto, prepare-se para entender onde o dinheiro da sua empresa está indo.
O perigo de precificar apenas pelo custo da matéria-prima
Primeiramente, é preciso abandonar a lógica de varejo dentro da indústria. Muitos gestores olham apenas para a nota fiscal do fornecedor de insumos.
Então, multiplicam esse valor por dois ou três para definir o preço. Infelizmente, essa prática é um convite certo ao prejuízo financeiro.
Pois a indústria não apenas revende produtos, ela transforma materiais. Nesse processo de transformação, diversos outros recursos caros são consumidos.
Se você ignora a energia elétrica das máquinas, o preço fica errado. Da mesma forma, a depreciação dos equipamentos é um custo real e constante.
Consequentemente, ao usar apenas o markup simples, você subprecifica seu produto. Ou seja, o cliente paga barato, mas você paga para produzir.
Eventualmente, o caixa da empresa começa a secar sem uma explicação óbvia. Isso ocorre porque o valor recebido não cobre a operação fabril completa.
Portanto, precificar apenas pela matéria-prima é uma armadilha perigosa e comum. Ademais, essa visão simplista impede o crescimento sustentável do negócio a longo prazo. Logo, é vital entender que o custo industrial é composto e complexo.
Assim sendo, cada etapa da produção deve ser contabilizada na ponta do lápis. Caso contrário, sua margem de lucro real será sempre uma incógnita.
Em suma, o custo do material é apenas a ponta do iceberg. Para ter lucro de verdade, você precisa olhar para o que está submerso.
Custos indiretos: onde a margem se perde
Sobretudo, os custos indiretos são os grandes vilões silenciosos da rentabilidade industrial. Diferente da matéria-prima, eles não são óbvios na unidade do produto.
Por exemplo, o aluguel do galpão entra no custo de cada peça? Certamente, ele deve entrar, ou a conta da empresa não fechará. Igualmente, o salário da equipe de limpeza, manutenção e supervisão conta muito.
Entretanto, distribuir esses valores corretamente é o grande desafio gerencial da indústria. Se a distribuição for feita de qualquer jeito, gera distorções graves no preço.
Por conseguinte, produtos que consomem menos recursos acabam pagando a conta dos outros. Enquanto isso, produtos complexos ficam artificialmente baratos e vendem muito, gerando prejuízo.
Nesse sentido, a falta de rateio correto destrói a competitividade do negócio.
Aliás, é exatamente aqui que a margem de lucro real costuma desaparecer. Pois, no final do mês, as contas fixas chegam para todos os departamentos.
Se o preço de venda unitário não absorveu esses valores, o lucro some. Dessa maneira, identificar e alocar os Custos Indiretos de Fabricação (CIF) é crucial.
Sem dúvida, ignorá-los é como ter um vazamento oculto no tanque de combustível. Portanto, sua gestão precisa mapear cada centavo gasto dentro da fábrica.
Ainda mais, é necessário critérios técnicos para dividir esse custo entre os produtos. Afinal, custo não gerenciado e não rateado é lucro perdido diretamente.
Logo, domine seus custos indiretos antes que eles dominem seu fluxo de caixa.
A complexidade tributária na formação de preço
Além dos custos operacionais, o Brasil apresenta um desafio fiscal imenso para indústrias. Inegavelmente, a carga tributária é quase um “sócio majoritário” da sua produção.
Ao formar o preço, é comum esquecer os impostos calculados “por dentro”. Por exemplo, o ICMS e o PIS/COFINS reduzem diretamente sua receita líquida.
Se você não calcular isso na formação, sua margem projetada será falsa. Outrossim, existe a complexidade do IPI na venda de produtos industrializados.
Dependendo do seu regime tributário, o impacto no custo muda drasticamente. Ainda mais, a Substituição Tributária (ST) pode inviabilizar a venda se mal calculada.
Por isso, a formação de preço exige uma inteligência fiscal muito apurada.
De fato, muitos prejuízos nascem de erros básicos na classificação fiscal (NCM).
Consequentemente, o preço final fica desalinhado com a realidade competitiva do mercado. Ou então, a empresa paga muito mais imposto do que deveria pagar.
Nesse contexto, a margem de lucro real só aparece limpa após os tributos. Portanto, tratar o imposto como uma simples despesa fixa é um erro primário.
Ele é variável e incide diretamente e proporcionalmente sobre cada nota emitida. Logo, sua precificação deve contemplar o cenário tributário específico de cada produto.
Caso contrário, você estará trabalhando arduamente apenas para pagar o governo. Em resumo, a engenharia tributária é tão importante quanto a engenharia de produto.
Assim, alinhe seu fiscal com seu comercial para garantir sobras no caixa.
Custeio por absorção vs. Custeio variável: o que usar?
Diante disso, surge a dúvida técnica sobre qual método de custeio utilizar. Atualmente, o Custeio por Absorção é o mais indicado e seguro para indústrias.
Primeiramente, porque ele atende plenamente às exigências legais e fiscais do Brasil. Mas, acima de tudo, porque ele considera todos os custos de produção.
Ou seja, custos fixos, variáveis, diretos e indiretos são absorvidos pelos produtos. Dessa forma, você garante que o preço final cobre toda a estrutura fabril.
Por outro lado, o Custeio Variável é útil apenas para análises gerenciais rápidas. Ele ajuda a entender a margem de contribuição de curto prazo para promoções.
Contudo, para definir a margem de lucro real estrutural, ele é insuficiente.
Pois o método variável ignora os custos fixos na unidade do produto. Eventualmente, isso pode levar a preços que não sustentam a empresa a longo prazo.
Assim sendo, o Custeio por Absorção oferece uma segurança estratégica muito maior. Ele evita que a empresa se iluda com margens de contribuição aparentemente altas.
Visto que, no final do dia, os custos fixos precisam ser pagos por alguém. Se o produto não paga o aluguel e a luz, quem paga é o lucro.
Portanto, para uma precificação robusta, prefira sempre a visão completa da absorção. Enfim, é o único método que reflete a verdadeira saúde financeira da indústria.
Use o variável para decisões pontuais, mas a absorção para a estratégia de vida.
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Com ele, o rateio dos custos indiretos é feito automaticamente por critérios técnicos. Dessa maneira, você elimina o “chute” e a intuição na formação de preço.
Além disso, o sistema considera toda a carga tributária complexa na conta final.
Logo, você visualiza a margem de lucro real de cada item produzido individualmente.
Consequentemente, suas decisões estratégicas tornam-se baseadas em dados concretos e auditáveis.
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